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sábado, 4 de outubro de 2025

Paragem Cardíaca oque é ? Como acontece ?


Definição

A paragem cardíaca é uma condição clínica em que há cessação abrupta e inesperada da atividade mecânica eficaz do coração, verificada pela ausência de pulso central palpável, apneia ou respiração agónica, e perda de consciência.

É um evento agudo e letal se não tratado imediatamente.

Fisiopatologia

A função normal do coração depende da condução elétrica organizada que gera contrações eficazes (sístole) e mantém o débito cardíaco. A paragem cardíaca resulta de uma falência elétrica ou mecânica do coração:

Tipos de ritmos de paragem cardíaca:

Dividem-se em duas categorias:

Ritmos chocáveis:

  1. Fibrilhação ventricular (FV):

    • Atividade elétrica desorganizada → contrações ineficazes.

    • Mais comum em paragens súbitas com causa cardíaca.

  2. Taquicardia ventricular sem pulso (TVSP):

    • Atividade ventricular rápida sem produção de pulso eficaz.

Ritmos não chocáveis:

  1. Assistolia:

    • Ausência total de atividade elétrica cardíaca (“linha isoelétrica”).

    • Geralmente terminal, com mau prognóstico.

  2. Atividade elétrica sem pulso (AESP ou PEA):

    • Atividade elétrica no ECG, mas sem pulso palpável.

 3. Causas – As "4H + 4T" (causas reversíveis)

Esta mnemónica ajuda a identificar causas tratáveis durante a RCP.

4H:

  • Hipóxia – Falta de oxigénio (ex: asfixia, afogamento)
  • Hipovolémia – Perda de volume sanguíneo (ex: hemorragia)
  • Hipo/hipercaliemia (e distúrbios metabólicos) – Alterações de eletrólitos (K+, Ca2+, Mg2+)
  • Hipotermia – Temperatura corporal < 30°C pode precipitar paragem


4T:


  • Tóxicos – Drogas (opiáceos, antidepressivos, cocaína), intoxicações
  • Tamponamento cardíaco – Acúmulo de sangue no pericárdio, impedindo o enchimento cardíaco
  • Tensão pneumotórax – Pressão excessiva no tórax colapsa o pulmão e comprime o coração
  • Trombose (coronária ou pulmonar) – Enfarte agudo do miocárdio ou embolia pulmonar

Diagnóstico Clínico

É essencialmente clínico. Baseia-se na tríade:

  • Inconsciência

  • Apneia ou respiração gasping

  • Ausência de pulso central (carotídeo ou femoral)

O ECG deve ser feito rapidamente para identificar o ritmo e orientar a abordagem (ritmo chocável ou não).

Abordagem Inicial – Cadeia de Sobrevivência

Segundo as guidelines do European Resuscitation Council (ERC):

Reconhecer a paragem cardíaca

  • Ver se a vítima responde, respira, tem pulso.

Ativar o sistema de emergência

  • Ligar para 112 (ou 911/192/999 conforme o país)

  • Pedir ajuda e buscar DAE.

Iniciar compressões torácicas (RCP de alta qualidade)

  • 100–120/min

  • Profundidade 5–6 cm

  • Recoil completo do tórax

  • Minimizar interrupções

 Desfibrilhação precoce

  • Assim que o DAE chegar, aplicar os elétrodos e seguir as instruções.

 Suporte Avançado de Vida (SAV)

  • Via aérea avançada (ex: intubação)

  • Administração de fármacos (ex: adrenalina)

  • Identificação e tratamento das causas reversíveis

 Medicação durante a paragem cardíaca

Em ritmos não chocáveis (assistolia ou AESP):

  • Adrenalina 1 mg IV/IO a cada 3-5 minutos

Em ritmos chocáveis (FV/TVSP):

  • Desfibrilar primeiro

  • Se FV/TVSP persistir após 2 choques → adrenalina + amiodarona:

    • Adrenalina 1 mg IV/IO

    • Amiodarona 300 mg IV/IO após 3º choque

 7. Pós-reanimação (cuidados após retorno da circulação espontânea – RCE)

Se o paciente recuperar o pulso:

  • Suporte ventilatório e hemodinâmico

  • Controlo da temperatura (hipotermia terapêutica)

  • Monitorização intensiva

  • Identificação da causa (ex: coronariografia se enfarte)

  Prognóstico

  • Sobrevivência depende da rapidez da intervenção.

  • Cada minuto sem RCP reduz a chance de sobrevivência em cerca de 10%.

  • Ritmos chocáveis têm melhor prognóstico do que assistolia.

  • A qualidade da RCP e o tempo até à desfibrilhação são os fatores mais importantes.

  Prevenção

  • Tratamento adequado de doenças cardíacas

  • Monitorização de pacientes de risco

  • Acesso público a DAE

  • Formação em SBV da população geral

  • Controlo de fatores de risco (tabaco, HTA, colesterol, obesidade, etc.)


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