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terça-feira, 9 de setembro de 2025

Fisiopatologia da Malária: Como acontece a fisiopatologia da Malária?

 A fisiopatologia da malária envolve uma série de eventos complexos causados pela infecção com parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada da fêmea do mosquito Anopheles. A doença afeta principalmente os glóbulos vermelhos e o fígado.

 Transmissão

A malária é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles infectado. Durante a picada:

O mosquito injeta esporozoítos (forma infectante do parasita) na corrente sanguínea humana.


 Fase Hepática (Pré-eritrocítica ou exoeritrocítica)

Os esporozoítos migram rapidamente para o fígado (em 30 a 60 minutos).

No fígado, eles invadem os hepatócitos (células do fígado) e se multiplicam assexuadamente, formando esquizontes hepáticos.

Cada esquizonte hepático contém milhares de merozoítos, que são liberados na corrente sanguínea após a ruptura dos hepatócitos.

Essa fase dura de 7 a 14 dias, dependendo da espécie.

> Obs: Em Plasmodium vivax e P. ovale, alguns parasitas podem permanecer dormentes no fígado como hipnozoítos, causando recaídas meses ou anos depois.

Fase Eritrocítica

Esta é a fase responsável pelos sintomas clínicos da malária.

Os merozoítos liberados no sangue invadem os glóbulos vermelhos (hemácias).

Dentro das hemácias, eles passam por vários estágios:

Trofozoíto jovem (em forma de anel)

Trofozoíto maduro

Esquizonte eritrocítico (multiplicação assexuada)

O esquizonte se rompe, liberando novos merozoítos, que infectam outras hemácias.

Esse ciclo de invasão e ruptura ocorre a cada:

48 horas (malária terçã: P. falciparum, P. vivax, P. ovale)

72 horas (malária quartã: P. malariae)

A ruptura das hemácias libera:

Merozoítos

Pigmento hemozoína (um subproduto da digestão da hemoglobina)

Componentes pró-inflamatórios → ativam o sistema imune

Resposta Imunológica e Inflamação

A ruptura das hemácias leva à liberação de citocinas inflamatórias, como:

TNF-α

IL-1

IFN-γ

Essas citocinas: Induzem febre (padrão cíclico) Causam sintomas como calafrios, sudorese, cefaleia, mialgia

 O padrão febril acompanha o ciclo de ruptura dos glóbulos vermelhos.

Complicações Específicas

▶ Plasmodium falciparum (forma mais grave)

Infecta hemácias de todas as idades → alta parasitemia

Hemácias infectadas expressam proteínas adesivas → aderem ao endotélio vascular (fenômeno chamado sequestro), Isso causa obstrução microvascular, levando a:

Malária cerebral (confusão, coma, convulsões)

Insuficiência renal

Acidose metabólica

Edema pulmonar

Coagulação intravascular disseminada (CIVD)

Anemia

Causada por:

Hemólise das hemácias infectadas e não infectadas

Supressão da eritropoiese na medula óssea

Esplenomegalia

O baço tenta remover parasitas e hemácias danificadas → hipertrofia esplênica

Hipoglicemia

Especialmente com P. falciparum

Devido ao alto consumo de glicose pelos parasitas e à toxicidade de medicamentos antimaláricos como quinina

 Fase Sexual (Transmissão ao mosquito)

Algumas formas do parasita diferenciam-se em gametócitos (masculinos e femininos)

Quando o mosquito pica a pessoa infectada, ingere os gametócitos

No intestino do mosquito, ocorre reprodução sexual → esporozoítos → migram para glândulas salivares → ciclo reinicia

Resumo do Ciclo e Fisiopatologia

1. Picada do mosquito → esporozoítos → fígado

2. Fase hepática → esquizontes → merozoítos

3. Hemácias → ciclo eritrocítico → sintomas (febre, anemia, inflamação)

4. *P. falciparum* → sequestro → complicações graves

5. Baço, fígado, rins e cérebro podem ser afetados

6. Formação de gametócitos → novo ciclo no mosquito


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