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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS)




Conceito

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica crônica caracterizada por elevação persistente da pressão arterial (PA).

  • Definição atual (OMS/ESC/ACC/AHA):

    • PA ≥ 140/90 mmHg em consultório, medida de forma correta e em, pelo menos, duas ocasiões diferentes.

    • Valores menores já são considerados pré-hipertensão ou PA elevada, dependendo da classificação usada.

A pressão arterial é determinada pelo débito cardíaco (DC) × resistência vascular periférica (RVP).
Na hipertensão, geralmente a RVP aumenta por alterações estruturais e funcionais dos vasos sanguíneos.

Classificação da Pressão Arterial (adultos)

Categoria Sistólica (mmHg) Diastólica (mmHg)
Ótima < 120 < 80
Normal 120–129 80–84
Pré-hipertensão / Elevada 130–139 85–89
Hipertensão estágio 1 140–159 90–99
Hipertensão estágio 2 160–179 100–109
Hipertensão estágio 3 ≥ 180 ≥ 110
Hipertensão sistólica isolada ≥ 140 < 90

Tipos de Hipertensão

  • Primária (essencial):

    • Representa 90–95% dos casos.

    • Não há causa única identificável, mas resulta da interação de fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida.

  • Secundária (5–10%):

    • Causada por outra doença ou condição, como:

      • Doenças renais (estenose da artéria renal, insuficiência renal crônica).

      • Endócrinas (hiperaldosteronismo, feocromocitoma, síndrome de Cushing, hipotireoidismo/hipertireoidismo).

      • Medicamentos (corticosteroides, anticoncepcionais, AINEs, ciclosporina).

      • Apneia obstrutiva do sono.

Fisiopatologia

A hipertensão é resultado de múltiplos mecanismos:

  1. Sistema Nervoso Simpático (SNS): hiperatividade aumenta frequência cardíaca e vasoconstrição.

  2. Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA):

    • Angiotensina II → vasoconstrição intensa.

    • Aldosterona → retenção de sódio e água → aumento do volume circulante.

  3. Retenção renal de sódio: rins não excretam adequadamente sal e água.

  4. Disfunção endotelial: redução do óxido nítrico (vasodilatador) e aumento de endotelina (vasoconstritora).

  5. Rigidez arterial: comum em idosos → aumenta a resistência vascular.

  6. Fatores genéticos e epigenéticos → polimorfismos em receptores e enzimas do SRAA.

Fatores de Risco

  • Não modificáveis: idade avançada, sexo masculino, raça negra, história familiar/genética.

  • Modificáveis:

    • Obesidade (principal fator).

    • Sedentarismo.

    • Alimentação rica em sal, gorduras saturadas e álcool.

    • Tabagismo.

    • Estresse crônico.

    • Diabetes mellitus e dislipidemia.

Manifestações Clínicas

  • Maioria é assintomática → por isso é chamada de “assassina silenciosa”.

  • Quando presentes, sintomas inespecíficos:

    • Cefaleia occipital (pela manhã).

    • Tontura.

    • Zumbidos.

    • Alterações visuais (visão borrada).

    • Cansaço.

Muitas vezes os primeiros sintomas surgem apenas nas complicações.

Complicações

Hipertensão mal controlada causa lesão de órgãos-alvo:

  1. Coração

    • Hipertrofia ventricular esquerda.

    • Insuficiência cardíaca.

    • Infarto agudo do miocárdio.

  2. Cérebro

    • Acidente vascular cerebral (AVC isquêmico ou hemorrágico).

    • Demência vascular.

  3. Rins

    • Nefroesclerose hipertensiva.

    • Insuficiência renal crônica.

  4. Olhos

    • Retinopatia hipertensiva (hemorragias, exsudatos, edema de papila).

    • Perda da visão.

  5. Artérias periféricas

    • Doença arterial periférica.

    • Aneurismas e dissecção de aorta.

Diagnóstico

  • Medição correta da PA:

    • Paciente em repouso, sentado, braço na altura do coração.

    • Pelo menos 2–3 medidas em diferentes ocasiões.

  • Métodos complementares:

    • MAPA (Monitorização Ambulatorial da PA 24h): avalia pressão ao longo do dia.

    • MRPA (Medição Residencial da PA): realizada em casa.

  • Exames laboratoriais: glicemia, perfil lipídico, creatinina, potássio, urina tipo I.

  • Exames de imagem: ECG, ecocardiograma, ultrassom de rins/carótidas, fundo de olho.

Tratamento

a) Mudanças no Estilo de Vida (fundamentais)

  • Redução do sal (ideal < 5 g/dia).

  • Alimentação saudável (rica em frutas, vegetais, fibras e pobre em gorduras saturadas).

  • Controle do peso (IMC < 25).

  • Atividade física regular (150 min/semana).

  • Redução do consumo de álcool.

  • Abandono do tabagismo.

  • Controle do estresse.

b) Tratamento Medicamentoso

Indicado se PA ≥ 140/90 mmHg persistente, ou mais cedo em pacientes com alto risco cardiovascular.
Classes principais:

  1. Diuréticos tiazídicos (hidroclorotiazida, clortalidona).

  2. Inibidores da ECA (enalapril, captopril).

  3. Bloqueadores dos receptores da angiotensina II (BRA) (losartana, valsartana).

  4. Bloqueadores de canais de cálcio (anlodipino, nifedipino).

  5. Betabloqueadores (propranolol, metoprolol).

Geralmente, combinações são mais eficazes do que monoterapia.

Prevenção

  • Adotar estilo de vida saudável desde cedo.

  • Controle do peso e da circunferência abdominal.

  • Dieta balanceada (DASH e Mediterrânea são as mais recomendadas).

  • Evitar excesso de sal, álcool e ultraprocessados.

  • Manter prática regular de exercícios físicos.

  • Monitorização periódica da pressão arterial, principalmente em pessoas de risco.

Resumo Esquemático

  • Doença crônica → PA ≥ 140/90 mmHg.

  • 90–95% primária (sem causa definida) / 5–10% secundária (doenças renais, endócrinas, fármacos).

  • Fisiopatologia: aumento da resistência vascular periférica + alterações do SRAA e sistema simpático.

  • Fatores de risco: idade, genética, obesidade, sedentarismo, dieta rica em sal.

  • Complicações: coração (IAM, IC), cérebro (AVC), rins (IRC), olhos (retinopatia).

  • Tratamento: estilo de vida saudável + medicamentos antihipertensivos.

Conclusão:
A hipertensão arterial é a doença cardiovascular mais prevalente no mundo e o maior fator de risco para AVC, infarto e insuficiência renal. Embora muitas vezes assintomática, causa graves complicações quando não tratada. O diagnóstico precoce, a prevenção e o tratamento adequado reduzem mortalidade e melhoram qualidade de vida.


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