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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Formação de Cálculos Renais





Cálculos renais 

São agregados sólidos de cristais que se formam dentro do sistema urinário (rins, ureteres, bexiga). São resultado de um desequilíbrio entre substâncias promotoras e inibidoras de cristalização presentes na urina.

Mecanismo de Formação (Fisiopatologia)

A formação dos cálculos é um processo multifatorial, que envolve:

  1. Supersaturação urinária

    • A urina contém sais (cálcio, oxalato, ácido úrico, fosfato, cistina).

    • Quando a concentração desses sais ultrapassa o limite de solubilidade, ocorre precipitação e formação de cristais.

  2. Nucleação

    • Pequenos núcleos de cristais se formam a partir dos sais precipitados.

  3. Crescimento cristalino

    • Esses núcleos aumentam de tamanho pela adesão de mais sais.

  4. Agregação

    • Vários cristais pequenos podem se unir, formando um cálculo maior.

  5. Fixação no epitélio renal

    • O cálculo pode se aderir às papilas renais e crescer até obstruir o trato urinário.

Normalmente, existem inibidores naturais na urina (citrato, magnésio, glicoproteínas) que impedem a cristalização. A deficiência desses inibidores favorece a litíase.

Tipos de Cálculos Renais

Os cálculos variam conforme a composição:

  1. Cálculos de Oxalato de Cálcio (mais comuns, ~70–80%)

    • Associados a excesso de cálcio na urina (hipercalciúria) ou aumento de oxalato.

    • Podem ser duros, irregulares e radiopacos (visíveis na radiografia).

  2. Cálculos de Ácido Úrico (~10%)

    • Formam-se em meio ácido (pH urinário baixo).

    • Associados a gota, obesidade, dietas ricas em proteínas animais.

    • Radiotransparentes (não aparecem em radiografia comum, só em TC/US).

  3. Cálculos de Estruvita (~10–15%)

    • Compostos de fosfato de magnésio e amônio.

    • Associados a infecções urinárias por bactérias produtoras de urease (Proteus, Klebsiella).

    • Crescem rapidamente e podem formar os chamados cálculos coraliformes.

  4. Cálculos de Cistina (~1–2%)

    • Devido a distúrbio genético (cistinúria).

    • Ocorrem em pacientes jovens.

4. Fatores de Risco

A formação de cálculos depende de fatores internos e externos:

a) Fatores individuais

  • História familiar de cálculos.

  • Sexo masculino (maior risco).

  • Idade entre 20 e 50 anos.

  • Baixa ingestão de líquidos.

  • Alterações anatômicas urinárias.

b) Condições médicas

  • Hipercalciúria, hiperoxalúria, hiperuricosúria.

  • Hipoparatireoidismo / hiperparatireoidismo.

  • Infecções urinárias recorrentes.

  • Doenças intestinais inflamatórias (má absorção → aumento de oxalato).

  • Síndromes metabólicas e obesidade.

  • Gota.

c) Fatores dietéticos

  • Dieta rica em sal, proteínas animais e oxalato (espinafre, nozes, chocolate, beterraba).

  • Baixa ingestão de cálcio (paradoxalmente aumenta oxalato livre).

  • Consumo insuficiente de líquidos.

d) Fatores ambientais

  • Climas quentes (maior desidratação).

  • Trabalho sob calor intenso (perda de líquidos pelo suor).

Manifestações Clínicas

  • Cólica renal: dor lombar intensa, em cólica, irradiando para abdome inferior, virilha ou genitais.

  • Hematúria: presença de sangue na urina.

  • Náuseas e vômitos.

  • Urgência urinária e dor ao urinar (se o cálculo estiver baixo).

  • Infecções urinárias associadas.

Complicações

  • Infecção urinária recorrente.

  • Obstrução do trato urinário → hidronefrose.

  • Insuficiência renal aguda (obstrução bilateral).

  • Insuficiência renal crônica (em casos graves e repetitivos).

Diagnóstico

  • Exames de imagem:

    • Radiografia simples de abdome (detecta cálculos radiopacos).

    • Ecografia (boa para triagem).

    • Tomografia computadorizada sem contraste (padrão-ouro).

  • Exames laboratoriais:

    • Urina tipo I (hematúria, cristais, pH urinário).

    • Urocultura (se suspeita de infecção).

    • Exames de sangue (creatinina, cálcio, ácido úrico).

    • Estudo metabólico de urina de 24h (em recorrentes).

Tratamento

O tratamento depende do tamanho, tipo do cálculo, sintomas e complicações:

a) Medidas gerais

  • Hidratação abundante.

  • Analgésicos e anti-inflamatórios para dor.

  • Antieméticos.

b) Tratamento específico

  • Cálculos pequenos (<5mm): geralmente eliminados espontaneamente.

  • Cálculos médios (5–10mm): pode-se usar fármacos que relaxam o ureter (tamsulosina).

  • Cálculos grandes (>10mm): geralmente requerem intervenção.

c) Intervenções

  • Litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO): quebra o cálculo em fragmentos menores.

  • Ureteroscopia com laser: indicada para cálculos ureterais.

  • Nefrolitotomia percutânea: para cálculos grandes ou coraliformes.

  • Cirurgia aberta (raro, hoje em dia).

Prevenção

  • Beber bastante água (2–3 litros/dia).

  • Reduzir sal na dieta.

  • Manter consumo adequado de cálcio (não restringir excessivamente).

  • Evitar excesso de proteínas animais.

  • Reduzir alimentos ricos em oxalato se houver predisposição.

  • Cuidar do peso corporal.

  • Uso de medicamentos específicos em casos recorrentes:

    • Citrato de potássio (aumenta pH urinário, previne cálculos de ácido úrico).

    • Alopurinol (reduz ácido úrico).

    • Tiazídicos (reduzem cálcio urinário).

Resumo final:

Os cálculos renais se formam por supersaturação e cristalização de sais na urina, favorecidos por desidratação, fatores metabólicos, dietéticos e genéticos. Os mais comuns são de oxalato de cálcio, seguidos por ácido úrico e estruvita. Podem causar dor intensa, hematúria e obstrução urinária. O diagnóstico é feito com exames de imagem e o tratamento vai desde hidratação e medicamentos até procedimentos como litotripsia ou cirurgia. A prevenção é essencial para evitar recidivas.

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